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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

258 - Amda manifesta preocupação com prevenção a incêndios florestais em 2012

A chuva ainda não parou, mas a Amda já está preocupada com os incêndios, que em 2011 destruíram milhares de hectares de vegetação nativa e mataram grande quantidade de animais silvestres em Minas Gerais. A intensidade do fogo levou o governo do Estado a elaborar o Plano de Combate para 2012, tendo o Secretário de Meio Ambiente, Adriano Magalhães, anunciado que o governador Antônio Augusto Anastasia deu instruções para que sejam liberados todos os recursos necessários à adoção de medidas para impedir o mesmo desastre ambiental do ano passado.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com participação da sociedade em workshop realizado em novembro, elaborou o Plano, cujo conteúdo final não foi ainda divulgado. Segundo informações da mesma, ele será lançado em março, ainda sem data definida.

Em 2011, a demora na liberação de recursos para construção de aceiros nas Unidades de Conservação (UCs) foi muito criticada pelos ambientalistas, pois sua execução não acontece de um dia para outro. Os aceiros, quando bem feitos e associados a outras medidas, como agilidade no combate e facilidade para utilização de água nas bombas costais, podem ser cruciais para impedir o avanço do fogo.

A fragilidade da estrutura do Parque do Rola Moça, uma das UCs mais castigada pelos incêndios, foi responsável por isso. O incêndio que destruiu quase 90% de sua vegetação natural em 2011 poderia ter sido contido na rodovia que o atravessa, ligando a BR-040 à localidade de Casa Branca, em Brumadinho, se houvesse carros pipas disponíveis. O fogo saltou a estrada e se espalhou pela área do Parque que fica de seu outro lado.

"Tememos que o governo não consiga cumprir a promessa de que em 2012 não enfrentaremos a mesma situação, pois boa parte das medidas que têm de ser adotadas deveriam se iniciar a curto prazo. A elaboração do Plano foi uma ótima iniciativa, mas tem de sair do papel”, diz a superintendente executiva da Amda, Dalce Ricas.

A investigação pela Polícia Civil sobre responsáveis por diversos incêndios que aconteceram em 2011, também prometida pela Semad, foi cobrada pela entidade. No entanto, até agora, não houve resposta concreta a respeito das medidas a serem tomadas e prazos para tanto.

“Para nós, isto é um mau sinal. Não é fácil descobrir incendiários. Mas a investigação é importante, até para que saibam que poderão ser punidos se provada sua culpa. Sabemos que, em alguns dos incêndios que aconteceram, existem evidências que poderiam permitir descobrir seus autores”, afirma a superintendente.

A Amda alerta que, se em 2012 os incêndios se repetirem na mesma intensidade do ano passado, o Parque do Rola Moça, por exemplo, e áreas ambientalmente importantes em seu entorno, poderão sofrer danos irreversíveis. “O processo de reação da natureza em áreas de topografias íngremes como nessa unidade de conservação, onde o solo é muito pobre, mal começou. Se houver novo incêndio, será o fechamento da catástrofe de 2011”, alerta Dalce Ricas.

A entidade, por meio de recursos de compensação florestal da V&M Mineração e de projeto voluntário de neutralização de emissão de gases causadores de Efeito Estufa da Samarco, está plantando 30 hectares de mudas no Rola Moça e em área próxima ao mesmo. Esta medida é fundamental ao trabalho de recuperação do Parque e à existência de corredores ecológicos, com espécies florestais nativas do mesmo.

Para mais informações: (31) 3291 0661

quarta-feira, 27 de abril de 2011

175 - Devastação no Cerrado provoca impactos irreversíveis nas bacias hidrográficas irrigadas pelo bioma

A pedido do Correio Braziliense, equipe da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Cerrados) analisou dados de estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que mostram a sedimentação nas cidades que mais desmataram o Cerrado nos últimos oito anos. As conclusões do estudo são preocupantes, há provas suficientes da morte no berço das águas do bioma. Os resultados do estudo serão publicados na série de reportagens"A morte no berço das águas", que mostrará como a devastação do Cerrado provoca impactos irreversíveis nas bacias hidrográficas irrigadas pelo bioma.

Com base no levantamento feito pela ANA, o Cerrado foi dividido em 679 bacias de drenagem, situadas numa área de 3,5 mil km². Daquelas que drenam o Cerrado e outros biomas, 62,1% têm índice de desmatamento que impacta no abastecimento de água. As nascentes são assoreadas e deixam de aflorar por causa do rebaixamento do lençol freático. Morrem antes de encorpar e abastecer os corpos hídricos das bacias brasileiras.

Com quase 20 mil nascentes, o Cerrado irriga seis das 12 regiões hidrográficas brasileiras e tem papel decisivo no abastecimento do Pantanal, situado na Bacia do Paraguai, e da Amazônia, na Bacia Amazônica. O bioma funciona como uma caixa d’água para 1,5 mil cidades de 11 estados, do Paraná ao Piauí, incluindo o Distrito Federal.

O estudo concluiu que, em Formosa do Rio Preto, no Oeste da Bahia, a quantidade de sedimentos no Rio Preto mais do que dobrou a partir de 2002 — chegou a triplicar em algumas medições. O oeste baiano é o espaço por onde avança a fronteira agrícola em curso no país, principalmente a cultura da soja. Formosa do Rio Preto está sucessivamente no topo da lista de desmatamento do Cerrado nos últimos anos. Foram 2,2 mil km² devastados somente na cidade, entre 2002 e 2009.

O Cerrado, maior savana da América do Sul, que ocupa um quarto do território brasileiro, foi o bioma desmatado com mais velocidade nos últimos 30 anos. Reduziu-se à metade para abrigar plantações de soja e, mais recentemente, de cana-de-açúcar. Levantamentos inéditos e com precisão científica nas nascentes comprovam a consequência da devastação: o fornecimento de água dentro e fora dos limites do Cerrado já sofre impactos irreversíveis, num processo de degradação localizado exatamente em pontos estratégicos para a existência e a qualidade dos recursos hídricos.

O retrato da morte do Cerrado é mais dramático quando se sabe que, desse reservatório, dependem regiões ocupadas por 88,6 milhões de brasileiros e lugares com grande quantidade de água, como a região amazônica. Para a Bacia São Francisco, onde está parte do Nordeste brasileiro, o Cerrado contribui com 94% da água que flui na superfície de rios e córregos.

Minas e São Paulo são os estados com maiores concentrações de nascentes. E são os lugares com os piores índices de desmatamento nas áreas de grande drenagem, assim como Mato Grosso do Sul e Goiás. O levantamento elaborado pelo Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do MMA relacionou 60 municípios com risco muito alto de impactos hidrológicos, ou seja, regiões de nascentes que perdem a função de abastecedoras por causa da devastação sem freio ou fiscalização. São os casos, por exemplo, das cidades de Pirajuba (MG) e Batatais (SP). Ricos em nascentes, os dois municípios têm um índice de desmatamento superior a 93%. Em Inocência (MS), que também aparece no documento do MMA, o desmatamento chegou a 85%.

"Essas áreas desmatadas são estratégicas para a manutenção do ciclo de unidades hidrológicas maiores", afirma o engenheiro florestal Ralph Trancoso, responsável por elaborar o documento do MMA.

* Com informações do Estado de Minas

FONTE: Site AMDA.