Uma nova pesquisa revela que restos de plantas carbonizadas na Mata
Atlântica – uma consequência das queimadas na agricultura – estão
vazando do solo para rios, chegando até o oceano. A entrada desse
resíduo (chamado de carbono negro) no ecossistema marinho pode
prejudicar espécies animais e vegetais – mais testes são necessários
para confirmar essa hipótese.
A notícia é publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-08-2012.
A equipe de cientistas liderada pelo biogeoquímico especializado em
sistemas aquáticos Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual
do Norte Fluminense, no Rio, e pelo geoquímico Thorsten Dittmar, do
Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha em Bremen, na Alemanha,
descobriu altos níveis de carbono negro no Rio Paraíba do Sul (que banha
São Paulo, Minas e é o principal do Rio de Janeiro) e no solo da
região.
No Vale do Paraíba, ainda há queimadas da cana-de-açúcar todos os
anos, mas, segundo os pesquisadores revelaram no site da Nature
Geoscience, apenas essa prática não poderia ser responsável pela
quantidade de carbono negro que eles identificaram.
Para determinar quanto carbono negro a floresta queimada produziu
originalmente, Rezende e seus colegas buscaram pistas em outro bioma
brasileiro, a Amazônia. Como outros estudos calcularam a taxa de carbono
negro produzida por incêndios na floresta amazônica, os cientistas
combinaram esses números aos índices históricos de queimadas na Mata
Atlântica.
O resultado dessa conta mostrou que foram emitidos de 200 milhões a
500 milhões de toneladas de carbono negro na Mata Atlântica. Para que
apenas metade dessa quantidade seja expelida do solo, levariam de 630 a
2.200 anos, de acordo com os especialistas.
O carbono negro geralmente escapa do solo quando a água da chuva
carrega o material até os rios, que por sua vez despejam os resíduos no
Atlântico.
Amostras. Para calcular quanto de carbono pode estar sendo adicionado
ao mar, os cientistas coletaram amostras do Paraíba do Sul a cada 15
dias, entre os anos de 1997 e 2008. Eles descobriram que o carbono negro
dissolvido continua a ser expelido pelo solo todos os anos, em níveis
aproximadamente constantes, durante a estação mais chuvosa.
De acordo com eles, apenas o Paraíba do Sul é responsável pela
entrada anual de mais de 2,7 mil toneladas dos restos da antiga mata no
oceano. Com base nesses dados, Rezende e seus colegas estimaram que toda
a área devastada da floresta despeja de 50 mil a 70 mil toneladas de
carbono negro dissolvido no ambiente marinho.
O que acontece com esse carbono negro após sua entrada no oceano
ainda é um mistério. Uma pesquisa anterior descobriu carbono negro em
áreas profundas e remotas nos arredores da Antártida.
Para Dittmar, a maior parte desses resíduos acaba sendo depositadas
no fundo dos oceanos, em todo o planeta. Mas apenas novas pesquisas
poderão revelar o quanto desse carbono negro que sai dos rios chega às
profundezas oceânicas e como ele pode afetar a vida marinha – em
especial as comunidades de micróbios que vivem e se alimentam de
pequenas partículas orgânicas.
(Ecodebate, 20/07/2012) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU,
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo,
RS.]

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